
Um caso que se arrastava há quase três décadas em Maceió chegou a um desfecho surpreendente na última sexta-feira (26). A Justiça de Alagoas, por meio do juiz José Eduardo Nobre, da 8ª Vara Criminal da Capital, absolveu sumariamente um homem acusado de homicídio, após a constatação de que a suposta vítima, Marcelo Lopes da Silva, jamais chegou a ser assassinada.
O processo teve início em 1998, quando um laudo cadavérico identificou erroneamente o corpo de um indigente como sendo de Marcelo. Com base nesse resultado, o Ministério Público do estado denunciou o acusado, alegando que o crime teria sido motivado por ciúmes. Entretanto, por décadas, o caso permaneceu suspenso, já que o réu não havia sido localizado e não pôde responder às acusações.
A reviravolta ocorreu em agosto deste ano, quando o homem finalmente foi preso e relatou às autoridades que a suposta vítima estava viva. Em setembro, durante audiência de instrução, Marcelo Lopes da Silva compareceu pessoalmente ao fórum e confirmou que nunca sofreu qualquer agressão. Ele explicou que, na época dos fatos, residia em Pernambuco, onde trabalhava no corte de cana, e que sua família em Maceió sequer tinha notícias sobre seu paradeiro.
Diante desses fatos, o juiz José Eduardo Nobre avaliou que o processo foi marcado por um erro grave no exame cadavérico que embasou a denúncia. Sem provas concretas da materialidade do crime, tornou-se impossível levar o caso a julgamento pelo júri. A decisão do magistrado recebeu o aval do Ministério Público, que concordou com a absolvição sumária, encerrando um processo que, por décadas, carregou o peso de uma acusação injusta.
O desfecho do caso trouxe alívio para o acusado e sua família, que finalmente tiveram a certeza da inocência após anos de incerteza. Ao mesmo tempo, serve como um alerta para o sistema de justiça sobre os impactos profundos de erros periciais.