
A educação pública de Alagoas alcançou um marco inédito em 2024 com os resultados obtidos na 19ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A Rede Estadual de Ensino conquistou 78 medalhas na etapa estadual, sendo 6 de ouro, 18 de prata e 54 de bronze. Entre esses premiados, 22 estudantes também garantiram lugar no pódio nacional, com 3 ouros, 6 pratas e 13 bronzes, disputando com milhões de alunos de todo o país. Ao somar as 178 Menções Honrosas recebidas, a rede estadual chegou a 256 reconhecimentos, representando 35% dos medalhistas nacionais e 27% dos estaduais.
Os números confirmam que Alagoas vive o melhor desempenho de sua história na olimpíada. No total, o estado somou 62 medalhas nacionais, com 9 ouros, 14 pratas e 39 bronzes, quando considerados os resultados das escolas estaduais, municipais, privadas e do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Já em nível estadual, o acumulado chega a 287 medalhas. A conquista é expressiva: foram nove ouros nacionais, recorde absoluto, alcançados em uma competição que reuniu cerca de 18 milhões de estudantes de todo o Brasil. Também houve recordes em pratas, bronzes e menções, com quase 80% dos municípios alagoanos registrando ao menos um aluno premiado.
As conquistas foram celebradas em duas cerimônias promovidas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Na sexta-feira (26), os medalhistas do Sertão e do Agreste receberam homenagens no campus de Arapiraca. Já na segunda-feira (29), foi a vez dos estudantes da capital e da região metropolitana serem reconhecidos no auditório da Reitoria, no campus A.C. Simões, em Maceió.
Presente no evento, a secretária executiva de Gestão da Rede Estadual de Ensino da Seduc, Sandra Vitorino, destacou a dedicação dos profissionais da educação. “Parabenizo toda a comunidade educacional que se empenhou para que tivéssemos esse resultado em nosso estado, que se destaca cada vez mais. E quando falamos em premiação, falamos também do desafio de despertar o interesse pela matemática entre os estudantes e, por isso, gostaria de ressaltar o importantíssimo papel dos professores da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que desde cedo ajudam nosso estudante a desenvolver o raciocínio lógico e mostram que a matemática está no seu dia a dia”, afirmou.
Os depoimentos dos medalhistas confirmam o impacto da olimpíada na vida dos jovens. Geovanna Valentim, da Escola Estadual Manoel de Matos, em Santana do Mundaú, que conquistou bronze estadual, relatou: “Participar da preparação para a OBMEP foi muito importante na minha vida, pois me abriu várias portas. É muito gratificante ser premiada, porque mostra o fruto de todo o meu esforço. Estar aqui como aluna de escola pública é um grande incentivo para que outros estudantes também acreditem nesse sonho”.
Já Pedro Vasconcelos Neves, da Escola Estadual Ovidio Edgar de Albuquerque, em Maceió, premiado com ouro estadual e prata nacional, ressaltou as oportunidades que a competição proporciona. “Já participei em outros anos e posso dizer que é uma experiência incrível. A olimpíada abre portas para universidades em todo o país, inclusive programas como o IMPA Tech, lá no Rio de Janeiro. É muito bom ver que nosso esforço está sendo recompensado e que isso pode facilitar a entrada nas universidades que desejamos”, disse o estudante, que também esteve entre os 100 selecionados para o intercâmbio educacional na Inglaterra pelo programa Daqui pro Mundo.
Outro destaque foi Adryan Barbosa Gomes, da Escola Estadual Padre Cabral, também prata nacional e ouro estadual, que destacou a transformação em sua trajetória acadêmica: “A matemática e as olimpíadas me proporcionaram muitas oportunidades na vida. Fazer a OBMEP me inspirou a querer entrar na área de tecnologia e dar o melhor de mim mesmo”, declarou, revelando que sua meta agora é alcançar o ouro nacional e estadual.
Os professores também foram homenageados. Renan Galinari, que leciona matemática na Escola Estadual Rotary, em Maceió, explicou que a preparação envolve “resolução de problemas, leitura e interpretação de exercícios e desenvolvimento de raciocínio lógico”. A gestora da escola, Edleuza Almeida, celebrou o resultado: “É uma alegria podermos compartilhar do sucesso de nossos professores e alunos. Isso nos estimula ainda mais para a segunda fase da OBMEP 2025, que acontece este mês”.
Já Aléssia Pontes, da Escola Estadual Padre Cabral, lembrou o histórico de conquistas da instituição: “João Victor, nosso aluno que foi o primeiro bimedalhista de ouro da Rede Estadual pela OBMEP em 2019 e 2021, recentemente foi bronze com a equipe brasileira na Olimpíada Internacional de Matemática. Adryan conquistou hoje sua segunda medalha. As irmãs Lilian e Kyra também tiveram medalhas nas duas últimas edições. Isso mostra o carinho que temos por essa olimpíada e como ela transformou a vida de nossos alunos”.
O coordenador da OBMEP em Alagoas, professor Adelailson Peixoto, do Instituto de Matemática da Ufal, destacou a evolução do estado ao longo de 20 anos de participação e lembrou que a olimpíada funciona como elo entre a Educação Básica e o Ensino Superior. Ele também fez questão de mostrar a dimensão do desafio enfrentado pelos medalhistas: “Para se ter ideia, 1 em 340 cada estudante brasileiro vai conquistar uma Menção Honrosa na OBMEP, enquanto, para ter uma medalha de bronze, são 1 em 2.770 alunos. Para alcançar a prata são 1 em 9 mil estudantes e a conquista do ouro é de 1 em cada 36 mil alunos”.